Cine-opiniões (Parte 2)


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DJANGO (1966)

Esse vivia passando no SBT nos anos 80… Bem antes de gente como Stallone e Schwarzenegger a banalizarem, a violência explícita era um tabu entre os cineastas. Cenas cheias de sangue e gente morrendo de maneira dramática, em geral, afastavam as pessoas do cinema. Isso começou a mudar com o lançamento do filme seminal do gênero Spaghetti Western “Por um punhado de dólares”, do Sergio Leone. Sergio Corbucci, assistente de Leone, que nem mesmo apreciava faroestes, teve a idéia de faturar um troco com o gênero, e assim surgiu um filme que se tornaria o maior ponto de referência dos faroestes italianos – DJANGO! Corbucci basicamente pegou tudo que Leone havia feito até então com Clint Eastwood e adicionou um clima mais dark, com muito mais sadismo, crueldade, desprezo pela vida e clima de tragédia grega do que o filme de seu colega. O filme, trash até o último fio de cabelo, já começa com uma cena inesquecível: o pistoleiro solitário Django, interpretado pelo canastrão por excelência Franco Nero, usando uma manta de soldado da Guerra Civil americana toda esfarrapada, arrasta um caixão misterioso e uma sela – apesar de não usar nenhum cavalo durante todo o filme – através do deserto. Ele mais parece a Dona Morte do Maurício de Souza ou o Fantasma da Ópera do que um cowboy. Na época em que o filme foi rodado, 1964, ele tinha 23 anos, 10 a menos que Eastwood, mas os maquiadores o fizeram parecer um quarentão. Nero usaria essa característica em praticamente todos os seus faroestes.

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De qualquer modo, com apenas seis minutos de enredo, o filme já tem nove presuntos no chão, e o número só aumenta, chegando ao inimaginável número para a época, de 153 mortos! Depois de salvar uma dançarina de cabaré de um bando de sádicos, Django segue viagem para o que sobrou de uma cidade coberta de lama, para resolver um assunto inacabado com um certo Major Jackson, outro sádico líder de um tipo de Ku- Klux- Klan de terceiro mundo, que detesta mexicanos. Com mais meia hora de filme, temos a cena mais antológica da história dos faroestes italianos, que provavelmente inspirou todos os filmes do Rambo. Jackson arrasta um exército de mais de 50 homens encapuzados para matar Django e destruir o resto da cidade. O “herói” permanece calmo, sentado atrás de um tronco, esperando o momento ideal para revelar o que traz dentro do caixão: uma metralhadora Gatling imensa, que ele usa pra detonar todo o bando de Jackson em um minuto como se fossem bonecos de papelão. Deixa seu inimigo mortal escapar com vida, por razões até aqui não reveladas.

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A partir daí, uns mexicanos amigos dele, que também aterrorizam a cidade- fantasma, aparecem, e ele os ajuda a roubar uma quantidade enorme de ouro em pó – que se não for pura areia, eu mudo meu nome pra Shirley – desde que a metade fique pra ele. Como os mexicanos ficam enrolando com o pagamento, ele resolve ficar com tudo. O que se segue é um festival de sadismo, cheio de tiros, pancadaria, corpos mutilados e cenas que deixariam Fernandinho Beira-mar com náusea, tudo isso regado a muita tinta vermelha e orçamento quase zero. Se você ignorar todas as falhas técnicas da época, o roteiro praticamente plagiado do filme de Leone e a canastrice sem tamanho de quase todo o elenco, esse filme é uma verdadeira viagem ao que há de pior na alma humana. Fez um sucesso tão assustador na Europa, em particular na Alemanha, que todo filme lançado por lá com Franco Nero teve o nome Django encaixado de maneira tosca nos títulos em alemão – mesmo nos filmes dele que não eram westerns! E, assim como ocorreu com Leone, o nome Sergio Corbucci ficou eternamente associado ao gênero.

NOTA: 8

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Uma resposta

  1. Nem conheço Spaghetti, mas convenhamos: É melhor um subgênero de Western que se propôe exclusivamente à Violência Explícita, mostrando “sem querer” o quanto que o ser humano é podre do que botar Cowboys a la John Wayne como os “salvadores da pátria e matadores dos índios bandidos”

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