Cine- Opiniões (Parte 3)


O Fantástico Mundo do Dr. Kellogg(1994)

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Eis a inspiração para a minha crônica de estréia. Esse é um dos filmes mais negligenciados do diretor inglês Alan Parker, o mesmo que fez o filme do Pink Floyd, e é fácil perceber o porquê. Passado na virada do século XIX para XX, esse filme foi baseado na vida do Dr. John H. Kellogg (o inventor dos Corn Flakes). Anthony Hopkins esbanja excentricidade e presença de espírito, numa atuação que lembra uma mistura de Jerry Lewis e Hannibal Lecter. Com frases memoráveis como “uma ereção é um mastro de bandeira no seu túmulo”, “o homem jamais deve reprimir seu desejo de defecar” e “o fígado é a única coisa entre o fumante e a morte”, Kellogg dirige o Sanatório Battle Creek, talvez o primeiro spa da história, onde muita gente vai atrás de uma vida saudável, mesmo que os seus métodos de trabalho – que incluem lavagem intestinal de hora em hora, uma máquina que estimula a defecação e terapia do riso – pareçam não ter muito embasamento científico. Os pacientes são tão alienados e confiam tanto no doutor que seriam capazes de esfaquear o próprio coração, se ele dissesse que ajuda a oxigenar o sangue! É muito engraçado ver as pessoas fazendo cooper, polichinelos e andando naquelas bicicletas enormes usando fraque e vestido.

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O enredo tem início com um casal em crise, interpretado por Bridget Fonda e Matthew Broderick, chegando ao sanatório para tentar resolver seus problemas sexuais com ajuda do Doutor. O ar da montanha e as constantes lavagens parecem fazer bem aos dois – até demais. Em sua estadia, enquanto Matthew se torna objeto do desejo da enfermeira e de uma paciente terminal- que Kellogg afirma veementemente estar em plena saúde, apesar de adquirir a aparência de um sapo gigante conforme o filme corre , Fonda conhece um grupo de pacientes quase maníacos sexuais, que ajudam a reacender o fogo sexual dentro dela, fazendo crescer a desconfiança de Broderick.
Kellogg não é livre de problemas. Apesar de dizer ser “o mais saudável lugar do mundo”, logo seus pacientes começam a morrer, ora atacados pelas máquinas que ele criou, ora por causas “misteriosas”. Tem também um filho adotivo pirado, George, que odeia o pai e parece ter sido o inventor da hiperatividade. E, como se não bastasse, ele precisa lidar com seus concorrentes no ramo dos cereais matinais, em particular, uma dupla de trambiqueiros que pretende roubar os flocos de Kellogg e vender em suas próprias caixas como se fossem criações deles.

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Apesar de excêntrico e divertido, o filme tem sua sorte de falhas. É muito comprido, com duas horas contadas. Geralmente, comédias têm, no mais tardar, uma hora e meia de duração, pra não haver um intervalo muito grande entre uma piada e outra. O humor escatológico, típico dos britânicos, pode afugentar alguns espectadores. E, da metade até o fim, o filme vira um tipo de pornochanchada da era vitoriana, com cenas às vezes não muito sutis de orgias, masturbação, bolinação, em suma, tudo que seus filhos pequenos ainda não podem ver. Mas, somando tudo, o filme até que saiu satisfatório, e não é digno de todo o desprezo que recebeu.

NOTA: 7,5

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