Cine-Opiniões(Parte 4)


Jesus Cristo Superstar(1973)

 jesus

Por essa, aposto que nenhum de vocês esperava, certo? O que um ateu estaria fazendo com um filme sobre Jesus Cristo- e um MUSICAL ainda por cima? O que um macho de nascença foi caçar logo em um MUSICAL, que, por lei, é um gênero que todo homem precisa manter distância? Tudo que eu posso dizer, sem nenhuma vergonha, é que esse filme é BOM! Geralmente, tenho uma queda por coisas que fujam do padrão, e nada pode fugir mais do padrão que um filme que quebra o mito envolvendo Cristo. Talvez pela primeira vez na história do teatro e cinema, alguém teve a coragem de apresentar Cristo não como filho de Deus, mas como um ser humano com sentimentos, um profeta muito influente, e que sofria cada segundo de sua vida por ter esse dom de atingir o lado visceral das pessoas. O filme relata os últimos dias da vida dele.

Sendo uma das peças mais famosas da Broadway, escrita por Tim Rice e Andrey Lloyd Weber em 1970, ganhou sua versão cinematográfica em 1973 pelas mãos de Norman Jewison. A coisa que mais enche os olhos no filme é que ele foi rodado em ruínas reais em Jerusalém. Dá quase pra sentir o vento arenoso batendo em nossos rostos e ferindo a pele. A primeira cena é uma peça de antologia: As tomadas aéreas mostram a vastidão do deserto israelense e as ruínas de talvez um palácio, conforme um ônibus surge na estrada de chão. Ele pára, e descem dele um monte de ripongas, que começam a se preparar para interpretar a peça no deserto. Vemos os atores se vestindo, ajudando a descer a cruz do bagageiro do ônibus, e colocando a bata em Ted Neeley, o Jesus da peça.

judas

Apesar do herói ser Cristo, a peça é, na verdade sobre o homem mais odiado da história cristã: Judas- Carl Anderson- um ator NEGRO!, que graças à toda a atenção que Jesus passou a receber dos fiéis, foi gradativamente sendo afastado de sua função de braço direito do profeta. Ele, como uma pessoa racional, ignora a divindade do colega, e passa o filme inteiro tentando convencê- lo que ele não é o filho de Deus, sem sucesso algum todas as vezes. Jesus e os apóstolos armam sua chegada a Jerusalém, onde os romanos armam o plano para acabar com Cristo. O culto a Cristo aumenta a cada hora, e arrasta uma multidão aonde quer que ele passe, e Judas apenas assiste a tudo sem jamais ser ouvido por seus companheiros. Não vendo mais nenhuma alternativa no horizonte, Judas, num ato desesperado,  resolve entregar a cabeça de Cristo aos romanos. O resto da história, todo mundo que já leu a Bíblia conhece de cor e salteado.

culto

Muita gente religiosa deve ter arrancado os cabelos e ameaçado atacar Hollywood quando esse filme foi lançado. Além de terem feito o paralelo Jesus Cristo/astro do rock n’roll, reduziram seus seguidores no filme a meros tietes ensandecidos, que, outrora seguidores ferrenhos de seu ídolo, tornam- se vampiros sedentos por sangue  ao se sentirem traídos por seu líder. Todos gritam “Crucifiquem- no! Crucifiquem- no! Crucifiquem- no!” em seu julgamento como animais, e vibram como se estivessem comemorando o Penta durante as cenas de tortura. E, no frigir dos ovos, todo mundo acaba se identificando com o personagem de Judas, que se transforma num Hamlet dos judeus de acordo com as mentes doentias dos roteiristas da peça.

 Judas-Jesus-Superstar

Será que valeria a pena passar esse filme na véspera de Natal, com a família inteira reunida na frente da TV?

 

NOTA: 9

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Uma resposta

  1. Passou por aqui mês passado e eu acabei nem indo ver ¬¬

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