Criancinhas Engravatadas


A infância está morta. Me perdoem os psicólogos, pedagogos e pais, mas temos de encarar a realidade. Ela não existe mais. Em outros tempos, ser criança era tudo de bom. Eram tempos lúdicos, de inocência, de usar a imaginação, de brincar o tamanho que era o dia. Mas agora, quanto mais cedo elas amadurecerem, melhor pros pais. Por eles, já sairiam do útero de terno, com uma valise e uma carteira de trabalho nas mãos, pra evitar o máximo possível o lapso de tempo entre o choro e a puberdade.

JA Captsone - Enterprise Village

Hoje, ninguém mais sabe o que fazer com as crianças. Quanto mais proíbem as coisas, mais elas as querem ter. Não temos idéia de como educa-las. Quer dizer, como você se sentiria dizendo pro seu pirralho não beber, se você mesmo adora uma cana? Como convence – lo a não fumar maconha, se você tem aquele cachimbinho especial escondido embaixo da cama?
Nossa geração teve liberdade demais, tudo foi muito fácil pra turma dos anos 90. E a facilidade de nossas vidas só aumentou com toda essa tonelada de bugigangas tecnológicas que a mídia nos empurra. Não é à toa que ninguém mais quer saber de estudar. Com coisas como MP4, iPods, Nintendo DS, notebooks, celulares que baixam música, acessam internet, jogam games on-line, passam vídeos em alta definição e o escambau de asa despencando sobre suas cabeças, quem vai querer saber de ler livros, dos afluentes do Rio Amazonas e sobre Hitler?

caloicriança
Com toda essa violência que começou a surgir na mesma época, e que (dizem) agora é apocalíptica em qualquer cidade, ninguém mais tem coragem de sair pra rua e brincar até tarde da noite. Com isso, elas aprendem a gostar de viver confinadas dentro de casa, e só sair para ir aos shoppings e às aulas. Com essa vida tão privilegiada que levam, nenhuma cresce aprendendo que precisam batalhar pra atingir seus objetivos. Basta fazer birra e espernear, e lá está um Blackberry novinho na mão ou um Nintendo Wii.

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Sem brincadeira. Há uns 4 anos, passava uma propaganda na TV em que uma menininha de 6 anos- talvez mais- brigava com o pai assim “Se você não me der um celular de Natal, eu quero um pai novo!”. A que ponto nós chegamos? A falta de respeito deles, que são o futuro da Nação – ou seríamos nós, blogueiros desocupados?- é tanta que chegamos ao ponto de precisar de programas como Super Nanny, que ensinam os pais a serem pais… Praticamente um atestado de “EU SOU UM PALHAÇO QUE NÃO CONSEGUE NEM CONTROLAR A PRÖPRIA FAMÍLIA” . Não sei de vocês, mas pra mim esse tipo de programa é vergonhoso.

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Pra variar, elas sempre ficam sobrando quando se trata de televisão. Parece que as emissoras desistiram de tentar agradar e simplesmente colocam no ar o que eles acham que a criançada gosta de ver. Se em outros tempos havia a tão criticada batalha das quatro louras, agora nem isso existe mais. Aos desavisados, lá no tempo dos carros movidos a manivela, Xuxa, Angélica, Eliana e a pobre coitada Mariana competiam pelo maior número de moleques olhando pras suas coxas . Com Maísa e os outros três que ninguém lembra o nome trabalhando pro seu Sílvio, não é de se admirar que as crianças prefiram ir à escola de manhã…

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E quanto aos desenhos que esses programas passam? Nos tempos das loiras gostosas, pelo menos se aprendia alguma coisa com os desenhos. A maioria dos desenhos de ação dos anos 80 – inclusive o do Rambo!- terminava com uma liçãozinha de moral básica, tipo “O que você aprendeu hoje?”, ou com dicas pedagógicas como “Escovem os dentes todos os dias” e “Não comam só doces”. O que a criançada aprende com os desenhos de hoje? Que dar porrada é maneiro… Não tem um único desenho hoje que não tenha pancadaria, explosões e toneladas de futilidades. As Três Espiãs Demais que o digam. Vocês devem pensar “Mas e quanto aos programas/ desenhos educativos?” Certo, mas quem, seja criança ou adulto, gosta de ver programa educativo?
O niilismo e o narcisismo dos anos 90 chegaram com força total ao novo milênio, e se ninguém começar a tomar atitudes , quem é que sabe como serão os filhos de nossos filhos, e os filhos dos filhos de nossos filhos, etc, etc? Os pais costumavam dizer que criar um filho é garantir que ele tenha tudo que eles não tiveram. Mas, honestamente, com tudo nascendo em árvores como nos dias de hoje, será que essa regra ainda é válida?

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2 Respostas

  1. Essa foi um belo chute no consumismo. Precisamos urgentemente arrumar outra coisa para colocar no lugar dele. Está certo que presentes em profusão acalmam crianças e adultos, mas é preciso lembrar que é preciso trabalhar para prover esses consumos.

  2. Já dizia o ditado e o Documentário: Criança é a Alma do Negócio…

    Retrocesso é óbivo que não vai rolar, mas que a mulecada tinha que aprender uma coisinha ou outra e os pais deviam deixar de ser hipócritas. Violência existe em todo lugar e não é tapando os olhos dos rebentos que vai amenizar a coisa.

    Ah se os pais parassem de elitizar seus filhos desde o berço…

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