O império das recordações contra- ataca


Antes que me digam: sim, eu vivo batendo nas mesmas teclas, e sim, eu não tenho vida. Mas creio que eu e as pessoas da minha geração não podemos fazer nada, levando em consideração a infância que tivemos. Em minha opinião, não existiu época melhor para ser criança que meados dos anos 80/ início dos 90. Para os adultos a chamada “década perdida” pode até ter sido um pandemônio por causa da crise econômica que atravessou a década e outros perrengues, mas para jovens em geral foi um paraíso.

fofao

A evolução eletrônica dava seus primeiros passos. Ninguém sequer pensaria ser possível conversar pelo computador. Possuir um telefone de teclas em vez de disco te deixava a cara do James Bond. TV de controle remoto era como estar no comando da Enterprise. Videogames nos forçavam a usar a imaginação para submergir naqueles micro- universos. Bastavam uns barrões coloridos na tela e sonzinhos extraídos dos famigerados sintetizadores Casio da época para deixar muito geek com um sorrisão no rosto durante horas. O garoto que possuísse um Atari mandava no resto do prédio. Às vezes nem precisava ser um Atari. Um CCE Supergame ou um Dactar já faziam os moleques da rua ajoelhar aos seus pés.

supergamedactar

Eram tempos bem mais simples, sem dúvida. Ei, alguém além de mim já acordou 5 e meia da manhã para assistir o color- bar do SBT com o contador de minutos que faltavam pra começar a programação do dia, ouvindo Beach Boys no fundo musical? Vibravam quando passava aquela vinheta de início da programação, com o satélite criando a logomarca do SBT sobre o mapa do Brasil? Ou, melhor ainda, não desgrudavam os olhos da tela  durante o cronômetro da Manchete, marcando cada segundo naquela tela preta, até o próximo bloco de Jaspion começar?

Naquele tempo em que não se pensava que a obesidade mórbida pudesse vir a ser um problema global, nosso bom e velho Embaixador Mundial da Boa Vontade, Bozo – e os outros apresentadores infantis – viviam anunciando refrigerantes, balas, chicletes, biscoitos e tudo que serve pra fazer as crianças sorrirem. A conscientização iniciou nos anos 90. Em 92, Angélica dizia “Tudo isso é muito gostoso… Mas lembrem- se de escovar bem os dentes!”

Imagine o que eles anunciariam agora, em plena época do politicamente correto… Mara Maravilha anunciaria couve – flor em vez de drops. Bozo, AdeS em vez de Pop Laranja. O Fofão anunciaria raquetes de tênis em vez dos odiosos bombons “Dizióleo”. A Xuxa com certeza faria propaganda de uma linha de chicletes orgânicos, com um vestido de fazer inveja a muita beata por aí. O Serginho Mallandro… Bom, alguém já teve coragem de comer alguma coisa que ele anunciou no Oradukapeta?

Noutros tempos, a Globo parecia de fato se importar com as crianças. Todo ano, eles faziam especiais musicais, com crianças e atores fantasiados, dançando na frente de um cenário bem tosco feito em chroma- key. Provavelmente os pais odiavam aquilo, mas, confesse, você também dançou dentro do berço ao som de Carimbador Maluco, do Raul Seixas, não dançou? Se você for como eu, também teve os LPs de Vinícius de Morais e a Arca de Noé, Pra Gente Miúda 1 e 2 (A missão), Turma do Balão Mágico, Trem da Alegria e -ARGH!- todos os discos da Xuxa.

 dfiscos

 Quanta coisa a gente fazia sem saber o motivo, mas que amava fazer! Qualquer um aqui já teve álbuns de figurinhas, certo? Não existe sinônimo maior de tacar um monte de dinheiro no liquidificador que comprar um monte de figurinhas, mas todo mundo comprava uns dez álbuns por ano. Manja minha ingenuidade… Nos anos 90, vendia no barzinho ao lado da minha casa um álbum de figurinhas da Família Dinossauro em preto e branco, desenhado, e que ainda contava com a presença de Thundercats, He-man e She-ra, e de acordo com as figurinhas, quem completasse o álbum concorria a prêmios do naipe de geladeiras, bicicletas, máquinas de lavar roupa e até TVs de 28 polegadas! A gente não ganhava nem um saquinho de jujubas, mas e daí?

Obs: Não consegui achar a foto do tal álbum, mas o que vale é a intenção 😉dinossauros

Eis aí outra coisa que não existe mais: as promoções! Toda revista em quadrinhos oferecia coisas que nos enchiam de esperança, com Mini- carros de Fórmula 1, videogames, computadores, bicicletas, brinquedos mil… Bastava arrancar fora a página e enviar pelo correio com uma resposta óbvia a uma pergunta besta que você já estava concorrendo. Nunca conheci ninguém que ganhou, mas todos continuávamos acreditando.

Relembrar os tempos em que era mais fácil ser feliz é muito gostoso.  Agora, se me dão licença, vou tirar uma pestana embalado pelas historinhas do Teddy Ruxpin…

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4 Respostas

  1. Cara, essa vinheta do SBT ainda me arrepia. Depois dela, sempre rolava o calendário/sorteio da megasena/vovó mafalda. Pena que ela se foi em 1996…

    Crianças comiam junk food adoidadas, mesmo forçadas a comer verduras.

    Nossa geração foi fudida! (Puta papo de saudosista, meu!)

  2. Cada um irá se lembrar com saudade da própria infância e como foi a única época vivida como criança, terá sido ela a melhor época para ser feliz.

  3. nos links do meu blog principal tem o link do blog do qual participo, como colaborador, o ‘você se lembra?’, que é um grande arquivo dos anos 80/90. olha lá depois!

    • e eu não conheço? o vocêselembra é meu blog favorito, e de onde eu tiro as ideias da maioria das minhas crônicas
      abraço

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