Última Fila


Matar ou morrer (1952)
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A molecada de hoje jamais conseguiria entender os filmes da era de ouro de Hollywood…
Acostumados a ver só explosões, genocídios, massacres na telona e a achar o Coringa de Heath Ledger um “cara maneiro”, seria impossível se interessarem pela preparação de um desastre. Na época, esse filme foi considerado um “anti-western” pelos nomes mais conservadores do gênero, como Howard Hawks e John Wayne, tendo ganhado até a alcunha de “faroeste freudiano” dos críticos, mas nada disso impediu que a trama, extremamente minimalista, o transformasse num dos maiores clássicos do gênero.
Dirigido por Fred Zinneman e escrito por Carl Foreman, dois artistas cassados na época do Mccarthysmo- inclusive, esse filme foi visto por muitos como uma alegoria à Lista Negra, o filme nos conta o drama do xerife Will Kane (Gary Cooper). Recém- casado e a ponto de partir para sua lua de mel/aposentadoria, é informado ainda no altar que seu arqui-inimigo Frank Miller acaba de ser liberado de sua pena e voltará à cidade no trem do meio- dia, onde seus antigos comparsas o aguardam para ajuda-lo a matar Kane e aterrorizar a cidade. Isso deixa o xerife num dilema: Ou ele foge da cidade para viver uma nova vida com sua esposa, ou fica à espera dos malfeitores. Como estamos falando de um herói clássico do oeste americano e ainda por cima de Gary Cooper, adivinhem o que ele escolhe?
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Ao contrário dos westerns tradicionais, o ponto forte deste filme não é a ação e os tiroteios, mas sim o drama pessoal do xerife. Todos da cidade preferiam que ele tivesse ido embora, por o considerarem sem a menor chance de vencer os bandidos, e vão um a um recusando o pedido de ajuda de Kane. A todo momento, vemos os ponteiros de todos os relógios da cidade se aproximando cada vez mais das 12 horas, o desespero e o sentimento claustrofóbico consumindo Cooper conforme os cidadãos vão abandonando a cidade com medo de Miller e sua gangue. Enfim, Will termina sem nenhuma outra alternativa, senão encarar os “cavaleiros do apocalipse” sozinho.
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 Filmado em majestoso preto e branco, com atmosfera e estilo de film-noir, esse filme marcou a década de 50, sendo um dos pioneiros no gênero que foi chamado de Western Revisionista, onde todos os clichês do gênero passaram a ser contestados pelos cineastas. Hoje em dia é muito comum assistirmos Stallone, Bruce Willis, Chuck Norris, Jet Li, Mel Gibson e Patrícia Pillar passando exércitos imensos dessa pra uma melhor sem nenhuma ajuda, mas pensem só em 1952, como deve ter sido um espanto para o público um único homem contra quatro, numa época do século XIX em que a metralhadora Gatling provavelmente nem tinha sido inventada ainda. 

Para os interessados em ver essa obra-prima, qualquer locadora tem um exemplar, e ele também é um dos coringas do TCM, passando praticamente todos os meses. Mas como eu sou muito gente-fina (até parece…) aí vai o link pro filme COMPLETO no Youtube! Extremamente recomendado!

http://www.youtube.com/view_play_list?p=51DFF1358F05182C&search_query=matar+ou+morrer+1952

 

NOTA:9,5

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Uma resposta

  1. Muito legal o seu blog. A propósito já vi esse filme quando ainda criança; lá pelos idos anos 60, e posso lhe afirmar que era uma farra o matinê das duas da tarde, no cine Cel. Ribeiro.
    Abraço.
    Jarbas Oliveira.

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