Última Fila


A Cruz De Ferro(1977)
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“Você tem idéia do QUANTO eu ODEIO esse uniforme?”

Geralmente quando se pensa em filmes da 2ª Guerra Mundial, vem à mente guerreiros americanos, ingleses e alemães honrados e impossivelmente patrióticos, com a mão no coração pra cantar seus hinos. É necessária muita coragem e jogo de cintura pra ousar quebrar esses paradigmas. Foi o que Sam Peckinpah- conhecido como “Sam, o sanguinário” e “Sergio Leone americano”-, um dos mais incompreendidos diretores da história, fez com essa pérola há muito ignorada, que em tudo lembra os brutais faroestes revisionistas que ele dirigiu nos anos 60.
Sendo americano, é um fato já surpreendente ele ter feito um filme sobre o lado alemão. Mas ao contrário dos demais filmes americanos, que vivem de demonizar Hitler e seus apêndices, aqui ele se mostra solidário aos perdedores, de uma maneira que não lembra em nada o ufanismo sobre-humano de outras fitas. Ninguém nunca havia falado sobre os soldados que estão em guerra apenas porque os despacharam pra lá. Esse não é um filme de nazistas estereotipados, com suásticas nos braços, capacetes de metal e marchando de braços estendidos, mas sim um filme sobre soldados, que poderiam ser de qualquer país.
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Acompanhamos aqui as andanças de dois militares em pólos opostos da mesma rosa dos ventos: O durão e abusado recém – promovido a Sargento Rolf Steiner (interpretado pelo sempre discreto James Coburn), que faz parte do proletariado e é amigo de sua tropa, e o aristocrático e homofóbico Comandante Stransky, capaz de fazer qualquer coisa para atrair a glória para si, mesmo sem merecimento.
A história começa na invasão alemã à Rússia em 1943, quando Steiner leva ao seu alojamento um soldado russo pré-adolescente. Os atritos entre Steiner e Stransky começam quando o Comandante ordena que Steiner elimine o garoto, e este se recusa.
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Logo as animosidades entre os dois são interrompidas por um ataque russo, que mata quase todos os homens de Steiner, e por pouco não o deixa tetraplégico. Apesar das alucinações terríveis que tem durante sua temporada de recuperação no hospital, ele é mandado para o front tão logo recomeça a andar. Voltando ao seu alojamento, descobre que Stransky está levando os oficiais na conversa, dizendo que foi ele quem liderou a frota no lugar de Steiner, para ser condecorado com a Cruz de Ferro do título e, ironicamente, preservar a honra de sua família.
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Claro que Steiner não gosta da idéia, porém, ainda assim se recusa a depor contra o comandante, disparando a letal frase com a qual abri a resenha, alegando que sua fidelidade ao seu dever é muito maior que sua lealdade a qualquer oficial alemão, deixando seus assuntos pessoais como devem ser, pessoais.
Apesar de não ser muito chegado em filmes de guerra, esse se encaixa bem no perfil dos filmes que eu gosto de ver, não tentando de maneira alguma disfarçar seu orçamento modesto, e várias falas aparentemente improvisadas. Como estamos falando de um filme de Sam Peckinpah, evidentemente ele é recheado de cenas alucinógenas, saídas da mente de um bebum inveterado. Muitas explosões, cápsulas de sangue falso a granel, combates intensos, várias pessoas tendo mortes horríveis num único enquadramento em câmera super-lenta, e delírios pós- operatórios de parte do convalescente Coburn. Enfim, assim como a trilogia do Vietnã de Oliver Stone e o atemorizante “Nascido para matar” de Kubrick, esse é um filme que nos oferece um lado nem um pouco glamouroso da guerra, onde nem mesmo a luta de classes entre oficiais tem trégua.

NOTA: 8,0
Link para download do filme: http://www.blogcatalog.com/search.frame.php?term=a+cruz+de+ferro&id=ed31bb0057aff972014851650a2e094d

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Uma resposta

  1. Na linha de Cruz de Ferro, tem também Johnny Vai à Guerra. Igualmente perturbador…

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