vidaidiota@zipmail.com.br


E viva a comodidade! E viva a era da hipermídia! Os confortos tecnológicos da vida ao alcance de um clique! Como dizia aquela propaganda dos primórdios da internet “Nossos filhos já nascem dizendo Arroba!” Aaaah, as maravilhas, a simplicidade da vida prática e moderna… Onde estaríamos agora sem todas essas parafernálias que, se ainda não temos, adoramos cobiçar?

A quem eu estou tentando enganar? Tecnologia é uma desgraça, e todos sabem disso! É típico de nós os humanos irmos comprando bens de consumo cada vez mais modernos e práticos, à medida que vamos descartando o que acreditamos não servir mais pra esse mundo. É a teoria de Darwin aplicada ao capitalismo. E o inverso dela aplicada a nós. A tecnologia tornou-se uma desculpa para desumanizar as pessoas. “Banalidades” como contato físico e pronto-atendimento já não são mais imprescindíveis em relacionamentos pessoa/pessoa ou vendedor/cliente.

Outro dia, no Fantástico, Regina Cazé estava comparando uma “arcaica” máquina de escrever a um computador modernete. No comparativo, a máquina de escrever punha qualquer Pentium no chinelo. Absurdo? Ora, faça as contas: Máquina de escrever não dá pau, não pega vírus, não aparece nenhuma “tela azul da morte” na folha de papel, e se quiser imprimir qualquer coisa, nunca dá problema de “cartucho de tinta vazio” nem de impressora enguiçada, bastando trocar a fitinha de tinta. Não é que ela tem razão em cada palavra? Mas nós sempre queremos o mais moderno, o mais bonito, o mais caro, o mais cheio de bips e bops, sempre com o intuito de esfregar a nova posse na cara dos parentes e amigos chatos.

Eu sou, como todos sabem, um sujeito muito fechado e tímido-em termos mais simples, um babaca. Recentemente, influenciado por minha mãe, resolvi ingressar num daqueles sites de paquera. Nenhum ser vivo devia precisar desse tipo de coisa pra conseguir um par. Primeiro você põe um apelido ridículo que quer ter e a senha mais ridícula ainda. Em seguida, começa o processo de montar seu cartaz. São milhares de dados a preencher: Hobbies, religiosidade, esportes favoritos, filmes favoritos, livros favoritos, gosta de sexo casual e afins. Até aí, tudo numa boa. Até aparecer o formulário com algo do tipo “O que você procura em seu par perfeito?”

Eu não sei das outras pessoas, mas eu me senti como se eu estivesse comprando uma peça de picanha no açougue. Perguntam altura do par perfeito pra gente, idade, cor da pele, cabelos, estilo de vida, os gostos da pessoa, a religião… Enfim, achei o site esquisito, mas consegui desbrava-lo. Aí recebi a primeira “mensagem de fã”, mas quando fui abrir… Não podia, só se pagasse. O QUÊ?? Pagar pra namorar? Agora, até o “trabalho divino” é pago? É ou não é de matar de raiva?
Como quase todo mundo hoje, eu só tenho me comunicado via MSN, e da minha lista de contatos, mais de ¾ dos meus amigos estão espalhados ao redor do país. Não que eu esteja me queixando das minhas amizades virtuais, mas muito provavelmente eu nunca chegarei a conhecer nenhum deles pessoalmente. Montes Claros, minha cidadezinha, fica a 1500 km de qualquer outro lugar do Brasil, e vocês haverão de concordar que gastar 30 horas de ônibus numa estrada esburacada de ida e volta, pra ficar só o fim de semana em outra cidade, não é bem um esforço que valha a pena.

Apesar de ter muitas pessoas que trocam idéias, lhe mandam e-mails, riem das suas bobagens e dão conselhos, elas nunca estão aqui, com você. Esse é o paradoxo da vida virtual: Você não está, mas está sempre sozinho.
Porém, quando se trata de desumanizar, ainda não existe rival algum à altura dos – AAAAAAAAAAARGH!- call centers! É praticamente uma repartição pública no inferno trabalhar num lugar desses, concordam? Só de imaginar todas aquelas milhares de mesas em fila com computadores, pessoas com sotaque paulista gordas e míopes, com atividade cerebral quase zero, com fones de ouvido, ligando aleatoriamente pra qualquer otário de qualquer lista telefônica do país, fico arrepiado. Oferecem tudo “quase de graça” ao cliente em potencial, carregando cada frase com “vamos estar + verbo+ ndo”… Acho que até o Chaplin se sentiria pior num call center do que naquela linha de montagem de Tempos Modernos.

Mas o maior dos horrores é precisar ligar para um deles, especialmente de operadoras de telefonia celular . Aperte 2, aperte 4, aperte 6, aperte o saco até as bolas saírem pelas axilas… “ Opção inválida. Não entendemos o que você quis dizer”. E tome mais “vamos estar ligando”, “vamos estar passando”,”vamos estar verificando” e o impagável “vamos estar indo”! Eles não podem simplesmente “ir”? A que ponto o mundo chegou?
E assim caminha a raça humana, se devorando um a um… OLHA LÁ UM BLACKBERRY! ALELUIA, GLÓRIA DEUS!!!

Anúncios

2 Respostas

  1. Tecnologia do dia anterior já é considerada obsoleta ¬¬

    Provei que não! Me diziam que discos de vinil/fitas k7 eram ruins porque não tinham pressão sonora. Errado! Ligue um desses “aparelhos toscos” numa mesa de som (8 canais mesmo) datada de 1985 e veja o resultado!

    Foi o que eu fiz usando: um Aiwa de 1993 ligado num mixer giannini de 85 pra tocar o Arise do Sepultura (de 91). Resultado: porradaria sonora no ouvido!

  2. Algumas poucas coisas eram melhores. Datilografar era mais difícil do que digitar. A facilidade de corrigir sem ter de rasgar tudo já é um ganho e tanto.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: