Última Fila


Blood at sundown/Uma pistola para Ringo(1965)

 

“Meu caso é diferente. Eu não sou mexicano. Eu sou americano, uma raça inferior.”

            Só um faroeste italiano poderia trazer uma frase dessas… Considerado por muitos críticos do gênero um “clássico não descoberto”, e um dos quatro filmes do gênero rodados em 1965 por Giuliano Gemma, –usando seu famoso pseudônimo Montgomery Wood- esse filme, feito com o já clássico orçamento apertado dos westerns spaghetti por Duccio Tessari, transporta um trecho da Odisséia de Homero para o oeste pós- guerra civil, quando vemos Montgomery Brown, um desolado capitão do exército nortista –um dos papeis favoritos de Gemma ,por sinal, é ex-soldado/oficial nortista ou sulista- que não leva desaforo pra casa, cavalgando de volta à sua cidade após oito anos de guerra, onde todos acreditam que ele estava morto.Outra constante criada por Tessari em todos os seus faroestes: Sua “menina dos olhos” Gemma terminando uma guerra pra começar outra em casa

Chegando a um barzinho na beira do caminho, ele é alertado pelo cantineiro que sua família havia sido assassinada pelos irmãos Fuentes, que também se apossaram de sua cidade, transformando-a numa pequena zona de guerra onde qualquer um pode ser morto a qualquer hora..

Após uma noite inteira enchendo a cara e sentindo-se um lixo com a notícia, pensando no que os bandidos podem ter feito à sua esposa, ele decide investigar a situação, fantasiando- se de mendigo mexicano e voltando à sua cidade. Ele faz amizade com algumas pessoas da cidade e descobre que Hally, sua esposa, está a ponto de se casar com um dos Fuentes, Paco(interpretado por George Martín), já que essa também pensa que Montgomery está morto. Porém, quando ele está a ponto de atirar em Paco e se vingar, ele descobre que Hally tem uma filha. Como descobrir se é filha dele?

            De acordo com o já tradicional niilismo das primeiras produções do gênero, as balas nesse filme voam como abelhas fugindo da colméia. Logo nos primeiros cinco minutos Gemma despacha dois caras no bar que ninguém nem no bar nem na audiência, exceto ele, desconfiava que queriam atirar nele. E a contagem de corpos só aumenta no decorrer dos 100 minutos de filme. Giuliano faz outro tipo de poucos amigos aqui. Apesar do cabelinho loiro -uma óbvia peruca, pois desaparece misteriosamente quando ele se fantasia de mexicano, e não reaparece nem quando ele retorna como Montgomery- e da cara de anjo, ele é do tipo que vai te deixar todo esculachado se você se meter a besta com ele. O detalhe crucial do personagem, e que é impossível não notar, é que toda vez que ele quer matar alguém, ocorre um “cacoete” no lado esquerdo do rosto que o faz piscar igual um viciado. Numa das cenas mais memoráveis, Ringo, trabalhando para a funerária da cidade, assiste ao “seu próprio” enterro-um corpo qualquer que puseram no caixão pra dizer que era ele-com uma bandeira americana sobre o caixão. Ele até deposita a coroa de flores sobre o “falso ele”. Poético…

            No mais, uma mistura bastante convincente de ação, tragédia grega, sangue, vingança, produção sem grandes pretensões e carregada de clichês típicos do gênero, que consegue segurar no sofá do mais machão à mais suspirosa das mocinhas. Os fãs de faroestes italianos vão sentir-se em casa.

 

NOTA: 7,5

Link para download:http://lucas-filmesantigos.blogspot.com/2008/07/uma-pistola-para-ringo-1966.html

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2 Respostas

  1. Quanto mais sangue, melhor! E nada de bom mocismo!

  2. Giuliano Gemma podia até ser bom ator, mas eu o achava canastrão, pois além da beleza, nada apresentava. O dom dramático não convencia. Não sei agora. O tempo passou, e ele pode ter aprendido a trabalhar. Mas, embora eu aponte essas falhas, adorava todos os filmes e não perdia um que fosse.

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