Rapidinha


Lá vou eu queimar meu filme de novo…

Aproveitando Dezembro, o mês oficial da suruba alimentícia, se você estiver sem fazer nada essa semana, tente achar um cinema que ainda esteja passando Julie & Julia, com Meryl Streep e Amy Adams. Tudo que a imprensa falou sobre esse filme surpreendentemente tem fundamento.
Lembro-me que, quando eu era mais novo e ia passar as férias na casa de meus avós paternos em Natal(RN), as mulheres da casa viviam enxotando os homens da cozinha. “Aqui não é lugar pra homem ficar”, as tias diziam. Ledo engano. Dá até pra contar nos dedos o número de chefs mulheres espalhados pelo mundo. É certo que nenhuma delas nunca precisou comer um prato de “baião de dois”, mas, pelo menos fora do Brasil, o universo culinário sempre foi machista. Isso até a Srª. Julia Child entrar em cena. Sendo uma amante da cozinha francesa, essa americana sorridente entrou no peito e na raça na academia de formação de chefs Le Cordon Bleu, ambiente exclusivo de homens, e fez todos eles lamberem seus chinelos no fim do curso. Assim que se graduou, começou a trabalhar num tipo de livro French Cooking For Dummies, que ensinou legiões de donas-de-casa ianques a cozinhar algo além de comida congelada. Uma delas foi Julie Powell. Jovem, recém-casada, portadora de TDAH e decepcionada com o emprego, – e quem não o é nesse mundo?- cresceu comendo os pratos de Julia, que eram preparados por sua mãe com ajuda do livro da cozinheira. Por sugestão do marido, resolve montar um blog- em 2002, eram ainda uma novidade- onde ela se lançou em um desafio: No prazo de um ano, ela cozinharia todos os quase 600 pratos do livro de Julia Child e escreveria sobre os resultados em seu blog. No início ela passou por todas as tribulações que afetam qualquer blogueiro: falta de auto- confiança, comentários e visitas… Nem mesmo a mãe dela entendeia por que ela continua levando adiante essa idéia, mas ela continuou. Logo a sua vida passa a girar em torno do blog. Adoece quando um prato não fica como deveria ficar, leva pitacos do patrão, estoura em muito o orçamento comprando ingredientes caríssimos, briga com todo mundo, põe o maridão pra fora de casa, mas nada tira essa obsessão com o blog da cabeça dela.
O filme quebra muitos tabus modernos. Além de ser o primeiro filme sobre uma blogueira, ela nos leva a refletir sobre os nossos hábitos alimentares modernos. Vivemos nos auto-policiando, tentando evitar comida gordurosa o máximo possível, e dando tapa nas mãos das pessoas que vemos passar da conta no restaurante. Aí aparecem Meryl Streep e Amy Adams esfregando a cara em barras de manteiga e capas de toicinho, tratando o ato de comer como um hobby, um prazer genuíno. Será que vale tanto à pena assim sair cortando tudo o que torna a vida boa de se viver?

Resumindo: parem de ler e vão assistir.

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2 Respostas

  1. A Meryl Streep ainda tá na ativa? Taí um bom filme falando sobre culinária e… Junk Food!

  2. quem falou em junk food?

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