Rapidinha



(Este texto contém spoilers)

O Sr. Dan Brown tirou a sorte grande. Ele é mais ou menos o cruzamento de Sidney Sheldon, Agatha Christie e, talvez, Gloria Magadan (fui longe nessa, né?). Seu personagem favorito, o cientologista- seja lá o que isso for, o salário deve ser muito bom- Robert Langdon é um tipo de Hector Bonilla (para os que nunca assistiram Chaves, um galã mexicano pra lá de canastrão dos anos 70) diplomado em Harvard.

Sempre atende aos pedidos de qualquer autoridade para ajudar a resolver os casos mais escalafobéticos envolvendo conspirações religiosas, acompanhado de seu indefectível relógio de Mickey Mouse e, de acordo com Tom Hanks, o ator que o “interpreta” no cinema, pela sua total falta de expressividade, tornou Brown num dos autores mais poderosos da década passada.

Sendo praticamente o Crepúsculo de 2006, a versão em filme de O código Da Vinci foi uma porcaria, onde o diretor Ron Howard e seu protegido, o “roteirista” Akiva Goldsman, fez um verdadeiro serviço de açougue com o livro de Brown e foi um dos filmes mais lucrativos e controversos do ano, mas não tão controverso quanto a peruca que Hanks usou nele.

Mesmo assim, exatamente a mesma equipe do Código regressou em 2009, para trazer às telas o primeiro livro de Robert Langdon: Anjos e demônios. Esse eu assisti numa sala de cinema lotada, sentado na escadinha, e saí de lá algo entre indignado e apático. Ontem resolvi alugá-lo para uma segunda avaliação, e, dessa vez fiquei em cima do muro. Goldsman deu uma de açougueiro novamente, mas agora não sei se os cortes que fez foram necessários ou se estragaram o livro. Honestamente, dos três livros de Langdon, nenhum tem mais delírios e reações exageradas quanto o primeiro, e a maioria deles poluíram a história. Mas sem eles, o filme é como Os Trapalhões sem Mussum e Zacarias, simplesmente não tem o mesmo sabor.

O ponto mais alto do filme do Código foi Paul Bethany como o fantasmagórico e implacável pau-mandado da Igreja Silas. O assassino de Anjos, no livro, é um terrorista que enche os olhos a cada passo, simplesmente um Osama bin Laden capaz de fazer qualquer coisa para atingir seus objetivos, o que seria um deleite na tela. Mas eles fizeram o favor de estragar o personagem, transformando-o numa coisa ainda mais inexpressiva que o próprio Langdon. Quando morre sequer faz falta.

Limaram totalmente o pai da cientista Valéria Vetra, eliminando com ele a parte mais empulhada e desnecessariamente melodramática do livro, e transformaram o camareiro do Papa de um italiano em irlandês, defendido com afinco e entusiasmo pelo tresloucado Ewan MacGregor. No mais, deixo o julgamento do filme nas mãos de todos vocês, meus fãs.

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Uma resposta

  1. Fui ver esse no cinema junto com a bomba do longa solo do Wolverine. Fora tudo o que foi citado acima, tem o lance do LHC como ponto central da trama.

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