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Mannaja: A man called Blade/ Vingança cega(1977)

 

É sempre triste ver uma hegemonia caindo sobre a própria espada. Assim como já disse na crítica a Califórnia, Adeus (1977), os Faroestes Italianos viam o fundo do poço chegando cada vez mais perto entre 1975 e 1979. Aquele que outrora foi um gênero promissor e garantia de boa bilheteria, perdia cada vez mais espaço para histórias de crime contemporâneas e filmes de terror sobrenatural na Itália. Eram poucos os que ainda se arriscavam a fazer um western naquele tempo. Mas os que tiveram coragem de fazê-lo… Como o fizeram!

Mannaja (eu me recuso a chamar esse filme pelo título abrasileirado!) foi rodado num estúdio às vésperas de fechar suas portas pelo diretor de filmes de terror baratos Sergio Martino, e estrelado pelo ator Maurizio Merli, na época, considerado um Franco Nero genérico, por conseguir seus papeis exclusivamente por sua inacreditável semelhança com o ator.

Outros anti-heróis do gênero costumavam ser ora vingadores, ora caçadores de recompensa. Blade/Mannaja é ambos, e cheio de estilo. Ele surge na primeira cena no meio de um pântano, com dentes e cabeleira impecáveis, usando um tipo de cachecol enrolado no chapéu e casaco de pele em pleno calor do Oeste, perseguindo um bandido, esse também com dentição perfeita, por sinal. Ainda ao contrário de qualquer outro anti-herói do gênero, só esporadicamente ele puxa o gatilho, preferindo usar uma machadinha indígena para colocar as desavenças em seu devido lugar – Vou chutar que essa foi uma idéia pro estúdio economizar tiros de festim.

            Após um início indescritível, que você precisa ver para acreditar, ele arrasta o bandido até a cidade mais próxima à procura de sua recompensa, e descobre que toda a cidade fora dominada por um ganancioso dono de mina chamado Mr. McGowan, que controla a mina de prata clandestina e a cidade com mão de ferro e fundamentalismo religioso. Nessas condições, um xerife é desnecessário, já que McGowan incumbiu seus jagunços de manter a “ordem” na cidade. Logo o minerador e Voller, seu braço direito, começam a se desentender, e Mannaja vê nessa desavença uma oportunidade para ganhar algum dinheiro e ainda realizar seu sonho de vingança. Quando era criança, o caçador de recompensas viu McGowan derrubar uma árvore em cima do seu pai, quando ainda eram sócios.

            Seguindo mais ou menos o estilo do melhor filme já feito no mundo- Era uma vez no Oeste­-, os preparativos para executar os atos de violência enchem os olhos mais que os atos em si nesse filme. As cenas de ação são todas feitas em câmera super-lenta e detalhista, como nos filmes de Sam Peckimpah, mas despejando sangue moderadamente, talvez para baixar os custos da produção. Para disfarçar o estúdio caindo aos pedaços, usaram máquinas de gelo seco funcionando a todo vapor, este também um improviso para dizer que era poeira das explosões da mina de prata.

Em algumas vezes, o fumacê é tanto que mal dá pra enxergar os atores na cidade. Porém, essa gambiarra acabou conferindo um aspecto sinistro às cenas. Ajudando o clima dark do filme, encontra-se uma das trilhas sonoras mais sórdidas na história do cinema, conduzida pelos mestres Guido e Maurizio De Angelis. Imaginem uma mistura de Simon e Garfunkel com o vocal barítono mais assustador que puderem imaginar e não chegarão nem perto do que ouvirão nesse filme.

            Apesar de algumas falhas, é um filme excêntrico, intenso e prende a atenção de qualquer um, sendo um representante perfeito da onda de filmes melancólicos que foram típicos do gênero em seu crepúsculo.

NOTA: 8,0

Link para download:http://filmes-series-matotrevas.blogspot.com/2009/01/vinganacegadubladodvdrip1977up.html

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Uma resposta

  1. Esse tipo de filme já fez a minha cabeça. Atualmente não tenho visto quase nada. Preciso reeditar esse gosto.

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