Rapidinha, mas não tão rápida


Definitivamente, sou fã do cineasta londrino Guy Ritchie. Sendo considerado pelos críticos um tipo de Quentin Tarantino da classe trabalhadora, adora ambientar seus contos de crime nos becos infectos de sua amada cidade e pintar seus filmes de amarelo, marrom e, principalmente, vermelho. Criador dos tipos mais pitorescos de gangsters com sotaques britânicos mais coloridos, eu o assisti em Jogos, Trapaças e dois canos fumegantes. Claro que no período em que foi marido da Magronna, seus filmes decaíram em qualidade, mas depois da separação ele vem tentando recobrar seu “toque de Midas”. Rocknrolla foi um começo, mas ele parece ter encontrado o rumo certo no recente Sherlock Holmes.

Como a moda do cinema de hoje é estraçalhar os grandes clássicos e adaptá-los para o paladar contemporâneo, o velho clássico de Arthur Conan Doyle não foi exceção. A antiga classe e o charme do Sherlock de outras eras deu lugar a Robert Downey Jr. Interpretando uma mistura do personagem de Edward Norton em Clube da luta com Iggy Pop em seus tempos de viciado em qualquer coisa e com a Velma do Scooby-doo. Apesar de ainda ser um gênio da dedução e ser excessivamente auto-confiante, aparece quase sempre maltrapilho e amarfanhado como um cowboy italiano. Sua alta auto-estima resume-se ao lado profissional, pois fora desse lado, vive entrando em brigas e se arrebentando todo.

Como contraponto, temos Guy Ritchie transformando pau em pedra ao extrair o máximo do não raro inexpressivo Jude Law como o cavalheiro e sempre alinhado parceiro de Holmes, o sofredor John “meu caro” Watson. Apesar de tentar evitar a presença do parceiro, Watson sabe que nunca poderá escapar dos caprichos de Holmes, e não se importa em sujar as mãos com o sangue de alguns capangas. A Londres vitoriana de Ritchie é imunda e cheia de ratos, mas não deixa de ser fascinante como em seus filmes anteriores. 

            A história? É a habitual de qualquer filme de ação moderno, apenas transitada para o fim do século XIX. Um maníaco ocultista chamado Lorde Blackwood, conseguiu forjar sua própria morte e quer colocar o mundo a seus pés, e para tanto, usa de suposta magia negra para matar quatro pessoas muito importantes da Inglaterra. Como Holmes é a única pessoa que conhece suas intenções, cabe a ele e a Watson juntar as peças do intrincado quebra-cabeça deixado por Blackwood. Apesar de ser muito rápido e cerebral em excesso para a audiência adolescente cabeça-de-vento de hoje, esse vale a pena. Corram para a sala de cinema!

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Uma resposta

  1. Essa eu ainda preciso ver!

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