Última Fila


Cobra (1986)

 

Pelo menos no Brasil este é, sem dúvida, o filme mais amado e lembrado da famigerada produtora de filmes baratos Cannon. É praticamente um faroeste B italiano transferido para o mundo dos anos 80, e a face daquela época. Dirigido por George Cosmatos, italiano que trouxe até nós a delícia chamada Rambo II, e “escrito” pelo próprio Stallone, pra lá de vagamente baseado no livro Fair Game de Paula Gosling, vemos aqui o ator, no ápice de sua capacidade de atuação, fazendo o que sabe fazer melhor: limpar a escória das ruas a bordo de seu carrão Mercury 1950 turbinado.

Tudo no filme cheira a final dos anos 80: os cabelos, o merchandizing, os carros-banheira, e principalmente o argumento, com a maior quantidade de frases de efeito por centímetro de filme na história de Hollywood- em apenas cinco minutos! Stallone é o policial estiloso Marion Cobretti, conhecido como Cobra. Com uma naja desenhada no cabo do revólver, botinas de fivela, jaqueta de couro, óculos Ray-ban espelhados e um palito de fósforo na boca, é a ele quem chamam quando nenhum outro policial pé sujo consegue resolver os casos mais moles de Los Angeles. No filme, é primeiro chamado para resolver um caso num supermercado, onde um caipira metido a nazista com uma escopeta velha e uma bomba típica de filmes de ação fez um monte de reféns e está matando-os a torto e a direito.

É claro que qualquer “tira” que começou a trabalhar ontem poderia resolver esse caso complicadíssimo numa boa, mas como o filme é com Sylvester Stallone, ele precisa entrar em cena e resolver tudo em 5 minutos, porque ele é o cara. Antes de fuzilar o caipira, ele fala sobre a organização a qual pertence, o “Mundo novo”, que não quer nada além de matar todas as pessoas fracas até sobrarem apenas os “fodões”. Na tradição dos anos 80, a organização criminosa é sediada num esgoto, onde todos ficam brandindo machados o dia todo, e é liderada por Night Slasher( Brian Thompson, que arruinou a reputação do imperador Shao Kahn no segundo filme de Mortal Kombat), que anda por aí com uma faca provavelmente roubada de algum filme de ficção científica da Cannon.

Como não podia deixar de ser nos filmes dos anos 80, uma donzela (a sueca Brigitte Nielsen, com físico de uma Claudia Raia bombada e loira e que, na época, era mulher do Stallone) vê os caras do Mundo novo atacando uma vítima, que a percebem e passam a caçá-la como lobos famintos. Como, apesar do seu tamanhão, a moça não conseguiria arranhar uma mosca, Cobra é designado para protege-la dos maníacos.

Esse filme é uma besteira deliciosa de assistir… Mas só na versão dublada. Esse é um dos raríssimos casos em que o filme só presta em português. Os maneirismos e improvisos do dublador do Stallone, se não reduzem sua costumeira canastrice, pelo menos deixam o personagem mais cool do que ele já é. Então, lembrem- se crianças: se por um acaso estiverem assistindo a essa pérola dos anos 80 em inglês, Cobretti aparecerá na porta da casa de vocês, e os fará limpar as botinas dele com a língua.

Deixem o cérebro embaixo da cama, comprem algumas latinhas de cerveja barata e não tenham medo de serem felizes com esse filme.

2 Respostas

  1. Ficou engraçada a sua opinião sobre o filme Cobra. Muito mais interessante que o próprio filme. Dei boas risadas. Você está conseguindo levar seus leitores para o clima da festa e já estamos entendendo o seu estilo.

  2. Demasiadamente clichêzão, mas ainda sim um clássico!

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