Última Fila


O rato que ruge (1959)

 

Aproveitando o clima do feriado, por que não falar de um filme cheio de gente fantasiada?

Há algo de podre no Ducado fictício de Grand Fenwick. Tal lugar é um tipo de Glaucilândia, escondida em algum lugar da França, sendo o único lugar do país onde a língua oficial é o Inglês. Vivendo na modernidade, mas ainda assim guardando traços da era medieval, como soldados utilizando roupas de malha de metal e arcos como armas, eles se encontram às vésperas de declarar falência total. Os Estados Unidos eram os únicos compradores do patrimônio da nação, o vinho Grand Fenwick, ainda preparado à maneira da Idade Média. Porém, não tardou para os americanos criarem um genérico do tal vinho, que saía mais em conta, acabando com a única fonte de renda do ducado. Aproveitando o momento de animosidades entre os dois países, o Primeiro Ministro Rupert Mountjoy (Peter Sellers) desenvolve um plano insólito: declarar guerra aos Estados Unidos.

Com a derrota e a destruição de Grand Fenwick, bastaria aguardar pela ajuda humanitária do país, reabastecendo os cofres da nação. Não vendo uma alternativa menos louca que essa, a amada Duquesa Gloriana XII (Peter Sellers) dá a bandeira verde para o plano do Primeiro Ministro. Eles incumbem o simplório Tully Bascombe (Peter Sellers), que passa boa parte de seus dias lutando contra uma armadilha de urso, na qual vive caindo, de levantar o “exército” de 20 gatos pingados para “atacar” a América. Porém, o espanto é geral quando chegam ao porto de Manhattan e encontram Nova York absolutamente deserta – uma cena surpreendente!

Descobrem que New York está em treinamento contra ataques nucleares, um antigo hábito da Guerra Fria, e os cidadãos estão escondidos em abrigos. Os homens de Fenwick são confundidos com marcianos pelo Esquadrão de Defesa Civil, que também são confundidos com marcianos pelos “invasores”. Enquanto fogem dos fiscais, eles lêem num jornal que o cientista Alfred Kokintz trabalha na criação da Bomba Q – uma bomba tão poderosa que usa a Bomba H como propulsão. Logo, Tully e seus “bravos guerreiros” seqüestram o professor, sua filha e a bomba, acidentalmente conseguindo a vitória contra os Estados Unidos e a desgraça dos políticos do ducado. Assim, começa uma corrida contra o tempo, para impedir que Grand Fenwick lance a bomba – como se eles quisessem fazer isso…

Eu realmente esperava muito desse filme… Baseado num famoso livro de Leonard Wibberley e dirigido por Jack Arnold, o mesmo que fez o inesquecível O incrível homem que encolheu, este filme é uma sátira bizarra a paranóia que a Guerra Fria trouxe ao mundo. Antecipando o que Sellers faria seis anos depois em Dr. Strangelove, aqui ele interpreta novamente vários personagens diferentes, bem à tradição britânica de não se levar muito a sério.

Porém, o filme é cheio de falhas. Pra começar, tomaram muitas liberdades em relação ao livro. Nele, o personagem principal é a Duquesa, e no filme passaram o peso de ser o protagonista para Tully, que não é necessariamente a última azeitona do vidro. Depois que regressam ao ducado o filme perde toda a graça, pois espremem metade do livro em meia hora de filme e atropelam muita coisa importante. Criaram a filha do Prof. Kokintz exclusivamente para o filme, que serve pra ficar berrando, e também como um insosso e incompreensível caso de amor para Tully.

Apesar disso, o filme tem fatores que o redimem, como William Hartnell no papel de Will Buckley, opositor ao Primeiro Ministro no Parlamento, uma versão debochada e deliciosa de Winston Churchill. Tully, que além de ficar preso na já citada armadilha de urso, passa os três meses da viagem para os Estados Unidos encostado na barra do barco, vomitando e com a palidez de um fantasma. E não podia deixar de mencionar o casal de namorados, que não importa a hora que passem por eles, estão o tempo todo transando atrás de uma árvore, perto da saída da cidade.

Enfim, essa comédia vale mais pelo valor histórico do que pela sátira em si.

NOTA:7,5

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2 Respostas

  1. A impressão de autenticidade passa longe desses cartazes e cenas escolhidas por você.

  2. Eu olho seu blog, acho super legal.

    Tem umas materias geniais. Essa do BBB do Bial e seu chefe BONINHO, diz tudo.

    Abraço.

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