Última fila


Sexta-feira 13(1980)

 

“Get her, mommy… Kill her…” 

Desde criança eu sempre me mijava de medo de filmes de terror, ao passo que meus primos vibravam com cada novo lançamento de Freddy Kruger e Jason. Influenciado por um documentário, resolvi assistir esta pérola depois de 28 anos de seu lançamento. E, honestamente, podia ter esperado bem menos. Ninguém no mundo jamais poderia imaginar que um filme B de terror, cheio de sangue e brutalidade, e que por muito pouco sequer foi produzido, poderia revolucionar o gênero.

Em 1978 o cineasta John Carpenter criou Halloween, considerado o primeiro filme Slasher- ou seja, maníaco assassino perseguindo e matando crianças e adolescentes com requintes de crueldade. Apesar de aterrador, tal filme foi discreto quanto à cor vermelha. O cineasta trash Sean Cunningham ficou tão impressionado com aquele filme que quis fazer sua própria versão, mais nojenta e brutal. Com apenas 600.000 dólares na carteira e 30 dias para filmar, o filme renderia quase $40.000.000 na bilheteria. Um lucro assombroso!

            Agora a história. Há muito tempo, num baile de formatura, Pamela Voorheess (uma deliciosamente insana Betsy Palmer) transou e engravidou. Abandonada pela família e pelo namorado, ela vai ter o filho Jason no Exército da Salvação. Apesar de o moleque ter deformidades por todo o corpo e problemas mentais, Srª. Voorhees o cria com total devoção. Numa bela Sexta-feira 13, enquanto trabalhava como cozinheira no acampamento de Crystal Lake, o pequeno Jason morre afogado no lago, e ninguém se atreve a resgata-lo por causa de sua feiúra. Pamela jamais superou a perda do filho e, desde então, induzida por vozes dele em sua mente, mata, esquarteja e desmembra qualquer pessoa que se atreva a trabalhar em Crystal Lake. Em suma, ela é uma Helena de novela feita do jeito certo.

            Vários atores estreantes e sorridentes, como Kevin Bacon, participaram desse filme como vítimas da Srª. Voorhees, mas a verdadeira estrela dele são os efeitos especiais. Considerados ultrajantes, catárticas e nauseantes na época, as mortes dos adolescentes indefesos não seriam a mesma coisa sem o trabalho do genial maquiador Tom Savini. Esse maluco prestou serviço militar no Vietnã só para ver corpos sangrando e decepados, e imaginar um jeito de recriar tudo aquilo na ficção. Ele se envolveu na produção de Sexta-feira 13 depois que um dos produtores viu seu trabalho nos filmes de zumbi de George Romero. E ele deitou e rolou naquele mês de gravação, tanto que ele continuou voltando aos sets de gravação mesmo depois que seu trabalho havia acabado.

            Cortes na jugular, empalações, flechadas que mais pareciam tiros de canhão, desmembramentos, degolas, tudo com o realismo exagerado que só poderia ser conseguido na época de maneira artesanal. Com todo esse deleite de crueldade, mal dá pra notar que o filme é, na verdade, bem bobinho, mas existem pelo menos três cenas que nem eu, nem ninguém que já viu o filme jamais esqueceremos: A flecha que atravessa a cama de Kevin Bacon e a sua garganta de baixo para cima, o exagerado suspiro de pavor que a Srª. Voorhees dá antes de morrer e a cena final, que simplesmente precisa ser vista. Impossível de ser descrita. Cara, quando eu olho pra trás e me lembro do tempo que perdi tentando fugir desse filme…

NOTA:7,0

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2 Respostas

  1. Esse filme de terror é um horror. Vou ver não!

  2. GOOOOOOOOOOORE!

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