Última Fila


Chamas da Morte & Dia dos Namorados Macabro(1981)

 

Mais um double-feature pra vocês, galerinha. Dessa vez, de dois verdadeiros clássicos trash dos anos 80.

A mensagem básica de qualquer filme de terror/suspense rodado nos últimos 30 anos tem sido sempre a mesma: Pense antes de agir, equilibre a razão com a emoção. Se você fizer alguma besteira séria, cedo ou tarde seu alvo voltará mostrando suas presas, com uma vontade incontrolável de cear com seu corpo.

Esses dois filmes do gênero slasher foram rodados no Canadá quase ao mesmo tempo com orçamentos super-apertados, e têm uma legião de fãs ao redor do mundo. Ambos, apesar de terem sido escritos antes de Sexta-feira 13 ser concluído foram considerados plágios dele e quase foram proibidos de serem lançados, devido à sua barbárie extrema para a época, que hoje é quase um passeio no parque, se compararmos com todos os filmes de Torture porn que existem por aí, como as séries O Albergue e Jogos Mortais.

Ambos têm um mote bem parecido. Chamas da Morte foi a estréia dos famosos irmãos Weinstein como produtores/roteiristas, tendo sido esse também o filme que fez o abilolado maquiador Tom Savini desistir de participar da seqüência de Sexta- feira 13.

Esse filme mostra o quanto um trote pode dar errado, contando a história de Cropsy, um abusivo zelador de um acampamento. Ele é tão irritante que, uma noite, os campistas resolvem pregar uma peça nele, deixando em seu criado-mudo um crânio em decomposição com duas velas saindo pelos olhos.

Quando Cropsy acorda e vê aquela monstruosidade, acaba esbarrando no crânio ao tentar fugir, que cai sobre seu lençol e o incendeia, e ao se levantar ele esbarra num galão de gasolina “estrategicamente posicionado” que permite que as chamas terminem de consumi-lo, fazendo-o correr desesperado para fora e tentar rolar pra apagar as chamas. Até hoje, essa cena é desesperadora, dá pra sentir toda a dor de Cropsy. Anyway, levam o zelador quase moribundo e parecendo um churrasco pro hospital, onde ele passa cinco anos se recuperando, adquirindo a já clássica força sobrehumana que todo matador de filme de terror tem e planejando sua vingança contra os moleques -que agora são monitores no acampamento- e quem mais se meter a besta com ele.

Trazendo uma trilha sonora composta pelo mestre do rock progressivo Rick Wakeman e um dos matadores mais bizarros que eu já vi, esse filme B é um verdadeiro deleite para os sádicos. Garanto que, depois de ver esse filme, você nunca mais vai esculachar seu jardineiro, pois a arma que Cropsy escolheu pra sua vingança foi um invencível e sempre afiado…

Tesourão de jardim! Palavra, ele mais parece feito com duas facas Ginsu, e nem queira saber das atrocidades que o “homem-picanha” é capaz de fazer com ele. Ele atravessa crânios falsos e decepa mãos de borracha como se fossem de manteiga. Sem falar que ele consegue cortar até um tronco ao meio com essa coisa. Apesar dos efeitos sanguinolentos do filme, o monstro em que Cropsy se transforma depois de ser queimado vivo tem uma aparência que, de tão decepcionante, provoca risos. O Sloth de Os Goonies dá de 10 a 1 nele. Mal dá pra descrever a podreira da maquiagem.

Quanto ao Dia dos Namorados Macabro, esse tem uma historinha um pouco melhor elaborada e mais brutal que o anterior. Há 20 anos, durante o baile do Dia dos Namorados na cidadezinha de Valentine Bluffs, cinco mineradores foram soterrados nas minas por uma explosão de gás metano. Precisaram de seis semanas para conseguir retirar os corpos. Entre eles, apenas um não morreu: Harry Warden. Ele ficou totalmente tantã de tanto respirar o gás metano enquanto soterrado, e o acharam comendo os restos mortais de seus colegas para sobreviver.

Levaram-no para um hospício, de onde escapou um ano depois, e passou a espalhar o terror pela cidadezinha todo ano no Dia dos Namorados, despachando cidade afora caixas de bombons em forma de coração, com corações humanos dentro e bilhetes poéticos que um doido dificilmente conseguiria escrever, assassinando brutalmente os cidadãos usando seu velho uniforme de minerador e sua letal picareta tingida de sangue. Desde aquele ano, Valentine Bluffs não havia se arriscado a celebrar o baile nunca mais, até 1981. Como todos acreditam que Harry Warden não passa de uma lenda agora, não vêem problema algum em celebrar.

Mas adivinhem quem resolve dar as caras de novo… Seria de fato Harry ou algum outro psicopata à solta, que resolveu se aproveitar da lenda para ressuscitar o assassino na mente das pessoas da cidade? É isso o que o xerife e o prefeito devem investigar enquanto acontece uma festa na mineradora, já que o baile da cidade foi proibido de novo com a volta do mineiro doido.

Confesso que simpatizei com o estilo do Harry. A cor escura do uniforme, as luvas pretas e, principalmente, a respiração dele através da máscara de minerador deram a ele um jeito bem Darth Vader de ser, só faltava a picareta assassina ser de luz :P. Esse filme ficou famoso porque a censura fez 9 minutos dele simplesmente sumirem, para conseguir uma classificação no mínimo de 16 anos. Isso aconteceu para dar uma aliviada na brutalidade das cenas de morte, pois na época que era finalizado, John Lennon tinha acabado de ser morto, gerando várias discussões sobre violência. Apesar da má fama e do besteirol sem fim, esse filme ganhou status de cult, tendo vários fãs, sendo o mais célebre deles o diretor Quentin Tarantino.

Resumindo, ambos os filmes podem não ser grande coisa, mas pelo menos conseguiram ser um pouquinho melhores que o Sexta-feira 13 original- se bem que isso até eu consigo fazer 😛

 

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Uma resposta

  1. O meu gosto pra filmes é um tanto questionável.
    Esse do Dia dos namorados eu vi, até que é bonzinho.
    Mas o meu preferido e longe, “Jogos Mortais”.
    Ah!!!! E todos os filmes de terror!

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