Fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuu… TUM!


Dos 3 aos 24 anos, a grande paixão da minha vida sempre foram os desenhos animados. Não aquelas besteiras de ação que saíram nos anos 80 em que heróis explodiam tudo e, antes do episódio terminar, olhavam pra câmera e diziam com um sorriso de modelo no rosto “Lembrem-se, crianças, de tomar banho todos os dias”. Não, esse tipo de desenho era pras criancinhas que cresceram assistindo só ao Xôu da Xuxa. Sempre preferi os classicaços da animação, feitos entre os anos 30 e os 60. Nunca existiu outra época tão cheia de gênios do ofício como nessas quatro décadas.

            Os pais mais bundões e puritanos acham que todas aquelas torturas físicas e psicológicas a que o Jerry submetia o Tom, aquelas explosões em que o Coiote se metia tentando apanhar o Papa- léguas, os trambiques do Pica-pau em sua fase mais anarquista, as estripulias do Patolino antes de passar de demente mental a ganancioso e as caretas dos personagens de Walter Lantz, Hanna-Barbera, Tex Avery e Bob Clampett representavam ameaças às mentes em formação das crianças, e que, cedo ou tarde, eles acabariam imitando aquelas sandices. Até parece…

            Se bem que… Ah, é! Existem os tais “esportes radicais”! Desde os anos 60, uma onda de esportes que são tudo, exceto saudáveis, tem chamado a atenção de todos os jovens que acham que marcar um gol ou cruzar a linha de chegada simplesmente não é o bastante. Vejo os tais esportes malucos como base-jumping, que é saltar de pára- quedas de qualquer lugar alto, para-gliding. para-sailing, esqui aquático, rappel, escalada de montanhas sem equipamentos, bungee-jumping, entre outras delícias sádicas como criados para pessoas que não suportam mais viver, mas… Sabem como é, né? Que não têm colhões o bastante pra comprar um revólver ou cianureto de potássio. Passei minha vida sendo chamado de doido, epilético, fanfarrão, etc., mas nunca fui fã de amarrar um elástico gigante nos tornozelos e me arremessar de uma ponte e ficar num vaivém por alguns minutos. Isso mais parece tarefa pro nosso incansável Coiote, sem falar que sempre há o risco do elástico arrebentar e a gente ir de focinho no chão, tal qual o próprio.        

  

O problema é que, pra tais esportes funcionarem em plenitude, seria necessário que voltássemos sãos e salvos do achatamento após o fade-out, como o Tom depois de ser atropelado por um ônibus, ou o Leôncio ao ter um taco de beisebol introduzido nas narinas.

Mas, infelizmente – ou seria o contrário?- a física dos desenhos animados não se aplica à audiência. Aqui, no mundo real, as pessoas morrem. Se você cai de um cavalo e entorta o pescoço, nem pense que será capaz de voltar pro cavalo logo após o acidente. Se o pára-quedas não abrir, baubau! A coroa de flores estará à sua espera. No mundo real, espingardas não nos deixam cobertos de cinzas, granadas de mão não são vendidas no armazém, tampouco pólvora, dinamite, gasolina ou nitroglicerina.  Bem que eu queria que a realidade fantástica das histórias de Dias Gomes e do ‘Guina’ Silva fosse coisa corriqueira. Aí, talvez eu considerasse a hipótese de me jogar de uma ponte sem me preocupar com trivialidades como a morte.

Remember, kids: Pular de uma ponte sem equipamentos de segurança é simplesmente suicídio. Se não quiserem deixar seus pais chorando e perguntando “Por quêêêêêêêêêêêêêêêê!?”, nem pensem nisso.

That’s all, folks!

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3 Respostas

  1. Vai da ironia ao deboche num vupt, e tudo é a sua cara. Muito bom!

  2. Décadas de 30/40 e 50 foram do caralho! Foi quando a Hanna-Barbera surgiu que a bagaça começou a infantilizar de vez.

  3. Sempre torci pro coiote pegar o papaléguas. Acho até que movida pela “pena” de ver o bichinho tão esquálido.
    Mas aí comecei a raciocinar, poxa, se ele tem dinheiro pra
    comprar os produtos da ACME, poderia encomendar uma
    pizza né não?
    Você é fera!
    Abração

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