Para perguntas óbvias…


A internet está destruindo nossas mentes?

2010.06.05

SÃO PAULO – Quando o autor Nicholas Carr iniciou as pesquisas para o livro que busca descobrir se a Internet está destruindo nossas mentes, ele restringiu seu acesso a emails e desativou suas contas no Twitter e no Facebook.

Seu novo livro “The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains” (“O Superficial: O que a Internet está fazendo com nossos cérebros”) argumenta que os últimos avanços da tecnologia nos tornou menos capazes de pensamento aprofundado. Carr se descobriu tão distraído que não podia trabalhar no livro enquanto estava conectado.

“Eu descobri que minha incapacidade de me concentrar é uma grande deficiência”, disse Carr à Reuters.

“Então, abandonei minhas contas no Facebook e no Twitter e reduzi o uso de email de modo que eu apenas checava algumas vezes por dia em vez de a cada 45 segundos. Descobri que esses tipos de coisas realmente fazem a diferença”, afirmou ele.

Depois de inicialmente se sentir “perdido” por sua súbita falta de conexão online, Carr afirmou que após algumas semanas foi capaz de se concentrar em uma tarefa por um período sustentado e, felizmente, conseguiu terminar seu trabalho.

Carr escreveu um artigo para a revista Atlantic Magazine em 2008 em que trouxe a público a famosa dúvida “O Google está nos tornando estúpidos?” e resolveu estudar mais fundo como a Internet altera nossas mentes.

O livro examina a história da leitura e aborda como o uso de diferentes mídias muda nossos cérebros. Explorando como a sociedade mudou da tradição oral para a palavra escrita e para a Internet, ele detalha como o cérebro se reorganiza para se ajustar a novas fontes de informações.

A leitura na Internet mudou de forma fundamental a maneira como nós usamos o cérebro, segundo o autor.

Encarando uma enxurrada de textos, fotos, vídeos, músicas e links para outras páginas, além de incessantes interrupções geradas por mensagens de texto, emails, atualizações no Facebook, tweets, blogs e feeds RSS, nossas mentes se acostumaram a navegar e a escanear informações.

Como resultado, desenvolvemos habilidades na tomada de decisões rápidas, particularmente as baseadas em estímulos visuais, afirma Carr.

Mas, agora, a maioria de nós lê com pouca frequência livros, ensaios longos ou artigos que nos ajudam a concentrar e sermos mais introspectivos e contemplativos, diz o autor.

BIBLIOTECÁRIOS? – Para Carr, estamos nos tornando mais como bibliotecários, capazes de encontrar rapidamente informações e perceber quais são as melhores, do que acadêmicos que são capazes de digerir e interpretar a informação.

A falta de foco afeta a memória de longo prazo, levando muitas pessoas a se sentirem distraídas, afirma o autor.

“Nunca ativamos as funções mais profundas, interpretativas de nossos cérebros”, disse ele.

Para ilustrar esse ponto, ele compara a memória de curto prazo a um dedal e a de longo prazo a uma grande banheira. Ler um livro é como encher a banheira com água a partir de um fluxo constante de uma torneira, com cada porção de informação sendo construída a partir da anterior.

Em contraste, a Internet é um conjunto infinito de torneiras abertas ao máximo, nos deixando tomados de porções pequenas de informações desconexas para encher a banheira, o que torna mais difícil para nossas mentes fazer as conexões necessárias que permitiriam seu uso posteriormente.

Extraído de dreamule.org

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Uma resposta

  1. A profusão de conteúdo causa desatenção, superficialidade e angústia de achar que o melhor está ficando para trás.

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