Vale a pena se rebelar?


“Escolha uma vida. Escolha um emprego. Escolha uma carreira. Escolha uma família. Escolha uma televisão grande, escolha máquinas de lavar roupa, carros, CD players e abridores de latas elétricos. Escolha uma boa saúde, colesterol baixo e seguro dentário. Escolha hipoteca com reembolsos de juro fixos. Escolha uma casa. Escolha seus amigos. Escolha o lazer e as bagagens correspondentes. (…) Escolha ficar sentado no sofá assistindo entorpecimento mental (…) se entupindo de junk-food. Escolha apodrecer no final de tudo, infernizando seu passado em uma casa miserável, sendo nada mais do que um embaraço para os egoístas, e para os pirralhos que gerou para te substituir. Escolha o seu futuro. Escolha a vida … Mas por que eu ia querer uma coisa dessas?”

Trainspotting (adaptado)

 Nascer, crescer, estudar, se formar, arrumar um emprego, ganhar dinheiro para pagar as contas, namorar, se casar, ganhar dinheiro para pagas as contas da esposa- com ajuda dela, lógico, se frustrar com o emprego, se frustrar com o trânsito, se frustrar com as contas que não fecham, se frustrar com os filhos que não querem estudar, se frustrar com aqueles que são supostamente seus amigos, se frustrar com a esposa chata, encher a cara no fim de semana, envelhecer e morrer. Parece familiar, não é?

É isso que eu, você e qualquer outro ser humano faz desde o momento que passa a existir. É um ciclo vicioso, do qual quem tenta pular fora se ferra. Somos treinados desde sempre a jogar de acordo com as regras, para ter segurança financeira na vida adulta e podermos nos fartar de tanto comprar eletrodomésticos que quebram à toa nas Casas Bahia e as parafernálias que o Rei de todos nós Steve Jobs insiste que PRECISAMOS ter para sobrevivermos.

MAAAAAAAAAAAAAAAAAASSSSSS… O que acontece se um de nós não concordar com esse “manual de sobrevivência básica”? O que acontece se um de nós tenta sair pela tangente? Não dá pra mudar a cara do mundo jogando de acordo com o livro. Alguma hora, um de nós resolve dizer NÃO a toda essa “segurança”. E o que acontece? Voltamos para nossos empregos miseráveis com uma mão na frente e a outra atrás. Perguntem pra geração de Woodstock como foi o desfecho daquele papo de ‘paz e amor’? E viva o conforto do dinheiro e o calor humano dos invejosos!

As pessoas são conservadoras por natureza. Todos pensamos da mesma forma: Se o que está aí não estiver me ferindo de qualquer modo, pra que mexer? Até mesmo os mais liberais são extremamente conservadores quanto aos seus ideais revolucionários, pois para eles as únicas opiniões que valem são as deles.

Por nossa causa, dos acomodados, que o mundo está essa desgraça há várias gerações. Dinheeeeeeeeeeiro… A droga mais viciante do planeta, e a única para a qual não existe rehab. Em pleno século XXI, e ele ainda é o grande ditador- superado talvez apenas por Steve Jobs, mas só talvez. Nossos pais se vão, sobramos nós. Ainda dá tempo de mudar alguma coisa nesse sistema horrível que aí está. Mas quem vai querer se rebelar contra um sistema que oferece crédito facilitado, telefonia celular “quase de graça”, sua pizza em 20 minutos ou ela sai de graça, uma geladeira nova por 1+14 prestações de R$56,90 e pentes de bigode?

Pois aqui está um homem que resolveu se rebelar! Não que isso seja da conta de qualquer um de vocês, mas eu resolvi dar uma banana pra segurança financeira e pras camisetas da Vide-bula. Não fui criado para passar o resto dos meus segundos espremido num cubículo ou carimbando formulários feito uma máquina numa repartição pública. Acho que ninguém nasceu pra isso, na verdade. Meu ideal é trabalhar E receber, não trabalhar PARA receber. Todos nascemos com algum talento especial, mas apenas um grupo seleto tem jogo de cintura para fazer do talento um ganha-pão.

Tomara que nunca aconteça, mas caso eu venha a ter filhos, nem a pau vou lhes ensinar como o mundo funciona, mas sim, como deveria funcionar. Não faz sentido trazer novas vidas ao mundo para que continuem a perpetuar TODOS os problemas vigentes desde que o primeiro homem disse “isso aqui é meu”. O motivo para procriarmos deveria ser para que nossa cria faça exatamente o oposto do que fizemos em vida.

Obs: Levo 100% a sério tudo que acabei de escrever e, sim, estou perfeitamente ciente que tudo que eu falei acima faz de mim um vagal imprestável.

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2 Respostas

  1. A partir do momento que você faz sua revolução mental e vê que é aquilo mesmo que vai defender pro resto da vida, vale sim!

  2. Entendiante, mas não dá para fugir desse roteiro.

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