Aquecimento


(Insira frase engraçadinha de saudação aqui)

 Uma dica pra vocês que pretendem assassinar um ente querido ou fazer uma chacina na escola seguida de suicídio para “ficar famoso”: Não vale (mais) a pena. Desde o incidente de Columbine houve uma grande banalização dos crimes chamados hediondos. Já é uma tradição tão grande como xingar os políticos, aparecer uma nova estripulia sanguinolenta todo ano para comover o país. As histórias da Suzane Von Richtohfen, Isabela Nardoni, da menina Eloá, e agora essa do ex-goleiro, ex-campeão brasileiro, ex-milionário e, em homenagem aos Cassetas, ex-croto Bruno, que, dizem por aí, mandou matar a ex-namorada e dar de almoço pros rottweillers. 

Como disse o advogado José Carlos Dias, chamar um crime de hediondo é insinuarr que exista crime adorável. De certo modo, esses crimes são adoráveis sim. Para a imprensa. O povo brasileiro é meio otário por natureza. Noutros tempos, salvamos o Bandido da Luz Vermelha da cadeira elétrica e demos abrigo ao bandido do trem pagador Ronnie Biggs, e, se tivessem feito mais burburinho, na certa teríamos perdoado até o Maníaco do Parque. Ficamos todos chocados quando o Aqui Agora mostrou ao vivo uma menina de 16 anos se jogando de um prédio e nos sentimos tocados pelo teatrinho feito por Leonardo Pareja na prisão, acompanhando o vira-e-mexe da situação como se fosse um folhetim de Janete Clair. Nunca vou esquecer do caso da mulher que faltou o trabalho, esqueceu os filhos em casa e tomou três ônibus só pra ir à São Paulo fazer piquete embaixo do apartamento dos Nardoni.

Eu compreendo que o sonho de todo telejornal é conseguir reações viscerais da audiência a cada nova reportagem. O galho é que, em busca disso, a maioria acaba apelando para o sensacionalismo barato. O tal caso Bruno, por exemplo. OK, já entendemos que ele é uma capeta chupando limão, um energúmeno que merece ser enterrado até o pescoço pros cavalos pisotearem sua cabeça, como fazem lá no México, mas a imprensa tem abusado tanto nos detalhes que quase nos faz pensar que Eliza SAMUdio era nossa parente. Será que já não é hora de deixar só a lei tomar conta do caso?

Vou lhes dizer uma coisa. Do jeito que as coisas estão, não vai me causar nenhum espanto se, durante uma dessas audiências, Eliza reaparecer no tribunal vivinha da silva, toda suja de terra, com uma pá enferrujada na mão.

Bom divertimento!

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3 Respostas

  1. A mídia dá o que o público pede. Há tempos as pessoas querem sangue, muito sangue, muita emoção e pirotecnia em torno de acontecimentos macabros. Nem tão cedo essa tendência deverá mudar. Ontem mesmo já aconteceu a morte por atropelamento do filho de Cissa Guimarães. Nem um prato esfria, já chega outro quentinho para consumo.

  2. “Eu quero ser… o Morto da TV!”

  3. OLá a todos direto do buraco negro…
    Lembro-me de um romance que li e que na
    época em que foi lançado fez estrondoso
    sucesso, pois relatava com riqueza de detalhes
    a carnificina e as torturas pelas quais passaram
    os supostos meliantes.
    Sangue, crueldade, rende e dá ibope.
    Abração

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