Tudo começou inocentemente com…



Lembranças de uma era menos vigiada

Numa de minhas várias noites insones, durante um dos meus constantes delírios nostálgicos dos tempos de infância (OK, eu sei que tenho apenas 25 anos, mas não existe hora pra saudade), buscava no Google coisas sobre os “longínquos” anos 80, e acabei esbarrando num blog. Dada a simplicidade de suas formas e cores, parecia não ser atualizado há uns quatro anos.

Nele, existiam várias fotos e campanhas publicitárias de junk-food (para os leigos de plantão, doces, salgadinhos, biscoitos e porcarias em geral que tornam a vida menos intragável) dos anos 80 e 90.
Só de ver aquelas imagens, me veio uma lágrima aos olhos e uma câimbra no peito. São tantas lembranças… Como não se lembrar do Lanche do Fofão? Dos Bombons do Fofão, dos Dadinhos, de tudo dele? A “boa” e velha Dizioli… Mesmo que o chocolate fosse pura manteiga de cacau e tivesse gosto de papelão, as bolachas murchas e tudo deixasse um gosto rançoso na garganta, eram sempre presenças garantidas nos baleiros da porta da escola.

Falando em manteiga de cacau, que tal os clássicos guarda-chuvinhas de “chocolate”? Ainda na linha de produtos com “chocolate”, como não citar as históricas bolachas recheadas e wafers Tostines? O viciante Lanche Mirabel? Os biscoitinhos Fofy da Nabisco, no formato de ursinhos? Se deixar, a gente fica até o ano que vem recordando…
Saindo dos sólidos pros líquidos, vem em mente o clássico Ki-suco. Pura tinta. Reza a lenda que um pacotinho daquele conseguia tingir uma caixa d’água inteira! Se dava, eu não sei, mas só de imaginar a química que tem ali dentro…

E a Xuxa, tentando convencer a nós, pobres criancinhas ingênuas, que o segredo de sua beleza eram o refresco Frisco , catchup, mostarda e maionese, tudo da Arisco? Sobre os refrigerantes, e a deliciosa tubaína Baré Cola, que vinha na garrafa de cerveja? Pop Laranja, Pop Cola, Mirinda, Crush, o refrigerante que mais tingia a língua entre todos. E as já há muito esquecidas latinhas de refrigerante totalmente cilíndricas, e que qualquer peteleco conseguia abrir. Nada de vida fácil e anéis de segurança…

E quanto aos populares “Porcaritos”, que era como as mães chamavam os Elma Chips da vida? Naquele tempo, os saquinhos não tinham aquela camada metalizada por dentro, e parece que vinham mais salgadinhos dentro que hoje. E quem não se lembra do Mandiopã, aqueles pedacinhos de massa que quadruplicavam de tamanho em contato com óleo quente? Assistir uma Sessão da Tarde ,ou então o Clube da Criança na Manchete, se entupindo com tudo isso. Não tinha nada melhor pra uma criança.

Agora, voltando ao tema da crônica. Em todos os comentários que eu li nesse ou em outros blogs, há consenso em apenas um ponto: 10 entre cada 10 comentários diziam “tal produto era muito melhor antigamente”,”era muito mais gostoso que agora”, “tinha gosto de infância”, “Antigamente era mais doce”, “antigamente era mais colorido”, “antigamente isso”, “antigamente aquilo”… E o interessante é que todos eles têm razão. Quem sabe se é pelo fator nostalgia ou algo que o valha, mas naqueles tempos, o fator que determinava a qualidade de um produto era o sabor, em vez do valor nutricional. Naqueles tempos, eles até diziam nas propagandas que lingüiça é comida saudável! Pode? Não é de se estranhar que os moleques de hoje estejam tão sedentários e só queiram saber de vídeo game. Os doces de hoje têm tão pouco açúcar que é difícil conseguir alguma energia pra brincar.

Desde a virada do século XIX/ XX, onde os únicos remédios conhecidos para todos os males eram lavagem intestinal e sangria, o ser humano não para de tentar adivinhar o que faz bem e o que faz mal. Naqueles tempos, acreditava- se que entrar dentro de uma tina d’água cheia de eletrodos e ficar tomando choques leves durante o banho fazia bem. E hoje em dia, com todos os avanços “científicos” vigentes, o que nós temos no ramo da medicina? Uma guerra contra tudo que é gostoso.

Numa era em que a “correção política” e a hipocrisia reinam triunfantes, temos a cada dia homens de óculos e jaleco dizendo que açúcar é ruim, que sal mata, que gordura trans é o grande mal da vida moderna… Que estranho, esses mesmos médicos viviam se entupindo dessas coisas quando jovens e continuam vivos… Todo mundo sabe que onde há sabor não tem comida saudável, e vice- versa. O que poucos médicos costumam levar em conta é que é impossível generalizar regras de saúde. Aquilo que faz bem para um pode ser a perdição do outro. Pessoas que passavam o dia comendo esses doces lotados de gordura hidrogenada e do perigosíssimo açúcar quando crianças continuam vivos, escrevendo em blogs. E provavelmente lendo essa crônica. Enfim, no mundo moderno temos que escolher entre dois estilos de vida: Ou somos saudáveis e vivemos muito, ou somos felizes e vivemos pouco.

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Nem parece que foi ano passado, né verdade?

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Uma resposta

  1. Nem eu acreditei que duraria um ano.

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