Minha gente!


Todo candidato é pedante por natureza.

Imaginem-se acordando de manhã, olhando por vários minutos seu reflexo no espelho do banheiro e repetindo para si mesmo “Você vai ganhar! Você é o bom! Você vai salvar o seu povo, suas idéias são pertinentes e concisas, tudo o que fala é certo! Você é o melhor, a eleição tá no papo!” Bom, creio eu que pelo menos os mais radicais- minoria esmagadora- sejam assim…

Não me interessam seus ideais políticos. Juro. Nem um pouquinho. Aliás, nem a mim nem a ninguém. Foi-se o tempo em que supostamente valia a pena morrer em nome de uma utopia política. Toda essa gente que acabamos de colocar em Brasília este ano usa a foto de Che Guevara para limpar a bunda, e o faz com uma naturalidade que chega a assustar. Os políticos modernos que lutaram contra a ditadura militar agora supostamente tentam restabelecê-la no país.

 

No Brasil, ainda votamos por obrigação, e não há melhor maneira de provar isso que o que ocorreu este ano. A grande maioria não votou para expressar pontos de vista, simplesmente votou por votar. Nunca houve uma eleição pior que a de 2010, em termos de candidatos. A grande máxima foi: “Não temos carisma, temos eficiência”, e tal máxima foi seguida à risca pelos partidos. Os “presidenciáveis” tiveram muito verbo, mas não tiveram carne nem ossos. Nenhum deles teve habilidade para atingir o eleitor no âmago de sua alma, emplacou jingles que estouraram pelo país ou fez multidões levantarem os punhos com o poder de sua retórica, tal qual nosso atual presidente em seus tempos mais cavernícolas. Nem mesmo os “comunas” mostraram serviço.

Nos debate-bates televisivos não tiveram envergadura moral para contagiar a audiência e merecer aplausos entusiasmados. Sequer puderam ser chamados de debates. Mais pareciam secretárias eletrônicas de terno e tailleur. Sabem o que o horário eleitoral desse ano pareceu? Aquela cena de Piratas do Caribe 3 em que Jack Sparrow e cia. estão no mar dos mortos e vêem as almas chegando em botes. Os políticos desse ano flutuaram ao nosso redor, absolutamente alheios aos desejos do povo e falando suas “propostas” incessantemente, sem nem perguntar se elas eram o que o povão queria. Foi uma maquinação das empresas publicitárias, um jogo de damas entre marqueteiros em que as peças têm fala empulhada e beijam leprosos.

A ideologia política tem dado progressivamente lugar ao pragmatismo. Convivemos “numa boa” com a ladroagem e a corrupção. Tanto que, nos estados de maior eleitorado, só se viu governadores reeleitos e vitória dos tucanos a torto e a direito. Apesar de ter sido criado em meio ao radicalismo, pois minha família idolatrava os grandes do PT, sou um cara conservador. Quer dizer, se a maneira que o mundo está não me prejudica em nenhum ponto, pra que eu vou querer meter a borracha em tudo? Tanto que meu voto foi para todos os candidatos que tentaram- e conseguiram- se reeleger, para desespero de minha mãezinha. Até meu pai, que sempre detestou os tucanos, ajudou a eleger uma penca deles só pra empentelhar o governo Lula. Minas progrediu na última década, e não quero nem saber se foi à custa da olhota do povo e da corrupção. Se desse jeito funciona…

Já nem me ruborizo quando ocorrem escândalos envolvendo políticos. Sabemos que eles se sentem realizados metendo a mão em nosso tutu. Se lhes traz prazer roubar, e sabendo que eles são muito mais ricos e poderosos que qualquer um de nós, pra que eu vou comprar briga com eles? Mas quer saber de uma coisa? Se o povo já nem dá bola quando aparecem no noticiário políticos abarrotando os bolsos de dinheiro, proponho uma saída radical: A legalização da corrupção. Tornaria tudo muito mais fácil. Já que nesse país os que andam de acordo com a lei são considerados caretas e bundões, assim que os crimes políticos forem legalizados, será uma questão de tempo até perderem a graça e, consequentemente, começarem a aparecer políticos honestos. Sonhar ainda é de graça…

 

Uma resposta

  1. Muito sensata e interessante a sua análise. Também percebi a incapacidade dos candidatos provocarem paixão nos eleitores. O cenário morno foi a tônica dessa eleição.

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