A receita que não falha


Pragmaticamente falando, para uma pessoa ser considerada normal, são necessários três requisitos: Amigos, família e carreira. Logo, caso um dos itens da tríade lhe falte, ou todos, não há possibilidade de ser feliz. Esse é o senso comum, no qual praticamente todo mundo acredita. Mas quem dera a questão fosse tão fácil de resolver… Há pessoas capazes de se sentir terrivelmente solitárias mesmo num churrasco de fim de semana, com toda aquela parentalha chovendo em seus ombros.

Ninguém nasce sabendo das coisas, à exceção talvez de Stephen Hawking. Tudo é uma questão de treinamento e condicionamento físico e mental. Vou chutar que a família de vocês é muito unida. Acertei? Então, se desde criança seus pais te arrastam pros fatídicos churrascos de domingo, com muita bebedeira, barulheira e regados a pagode, isso funcionará como um tipo de lavagem cerebral e você crescerá acreditando que essa é a única maneira de ser feliz, e criticará qualquer um que não goste de viver assim. Há a questão ainda dos hábitos hereditários. Se seu avô ou bisavô foi/é um torcedor contumaz de um time que não sai da zona de rebaixamento desde sua formação, é de 99% a certeza que também acabará se tornando um fanático por tal time, e só se sentirá feliz se estiver rodeado por um bando de tiozões torcedores tão masoquistas como você.

A imagem mais famosa de felicidade é aquela clássica hollywoodiana, de filmes principalmente dos anos 50. Vocês a conhecem bem: O sujeito chega em casa no seu enorme e luxuoso Chevy Bel-Air vermelho e branco(o popular saia e blusa), Rex já sai pela portinhola da frente para lhe dar as boas vindas “que só um cachorro pode dar”. Lá vem a patroa lhe dar um beijo e a meninada fazendo zoeira. Ele deita-se na espreguiçadeira, ajeita os óculos e acende o cachimbo, e antes de abrir o jornal lá vem o Rex trazendo os chinelos na boca…

 Preciso continuar contando? Esta “felicidade-produto” foi enraizada em nosso subconsciente de geração a geração, e satirizada à exaustão por séries que vão de I Love Lucy a Os Simpsons. Sem dizer, os filmes feitos em meio ao otimismo exagerado do pós-guerra esfregavam em nossas caras a mensagem de que só era possível ser feliz nesse mundo se o caboclo fosse o núcleo de uma família. É claro que, na na ficção isso pode até funcionar, já na vida real…

Uma resposta

  1. Por enquanto, as alternativas a família estão em laboratório e ainda não trouxeram mais paz que os grupos ligados por laços de sangue, mesmo que tenham mudado radicalmente os núcleos padrão. Há os casais de dois pais, de duas mães, mães sozinhas com filhos de vários ex-maridos e casos, casais sem filhos por opção, amigos numa casa, comunidades religiosas com casais e filhos, e outras comunidades como no tempo dos hippies, assim como conventos, e outras arrumações religosas, fora os solitários, velhos ou não. Acho que o padrão caiu um pouco por terra. Mas a busca por outro senso comum, não edulcorado, continua.

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