Polícia e ladrão


freedom

Seguindo os passos do Oriente Médio, o Brasil também entrou em guerra civil, minha gente! Bom, pelo menos na ficção.
Num país como o nosso, onde a carência por exemplos a serem seguidos vem desde os tempos do Tratado de Tordesilhas e em que cavernícolas como Tenente-Coronel Nascimento e Jair Bolsonaro são considerados heróis nacionais por outros cavernícolas, qualquer um que se atreva a desafiar o establishment logo ganha tintas de herói, não importa qual tenha sido sua transgressão. Leonardo Pareja que o diga…
Duro de acreditar que, até hoje, com tudo o que já foi escrito, contado e pesquisado sobre os “anos de chumbo” no país, alguém ainda tenha a coragem de encher o peito e dizer que a luta dos movimentos estudantis no país dos anos 60 era em prol da liberdade e da democracia.
Pois foi exatamente isso que o eterno “autor-estagiário” Tiago Santiago (cacofonia?) propõe em seu recente folhetim para o falido SBT, “Amor e Revolução”.
Eis a prova de que o mundo é redondo: Em 1992 Gilberto Braga, o mesmo que hoje escreve a sonífera” Insensato Coração”, trouxe ao ar o mesmo tema em “Anos Rebeldes”, e é inevitável tecer comparações entre as duas produções.
Tanto uma como outra podem ser consideradas top de linha, por sua cinematografia e representação fiel de figurinos e cultura da época, e também abusam do melodrama, mas a série de Giba tem duas coisas que o SBT nunca terá: Atores que emocionam a audiência e textos bem escritos.
Logo na primeira cena de A & R, sabemos que se trata de uma criação do autor de “Os Mutantes”. Quem mais pensaria em um luau comunista no meio do mato sendo atocaiado por milicos vestidos como se fossem NINJAS?! E a coisa não parou por aí. Olha, eu já vi quase todos os famosos faroestes Zapatistas feitos na Itália nos anos 60, portanto já estou acostumado à simplificação extrema dos ideais comunistas em nome do entretenimento. Mas aqui o Mr. Santiago levou a simplificação além dos limites do ridículo. O tempo todo ele nos diz que “os militares são maus e querem destruir o país” e “os jovens querem a volta da democracia e da liberdade”, e o que é pior, da forma mais didática e doutrinadora possível, como se ele estivesse fazendo uma versão tupiniquim de Bastardos Inglórios.
Até admiro a iniciativa de seu Sílvio de tentar se afastar de sua paixão pelo cafona, mas se a novela mantiver a mesma qualidade do primeiro capítulo até o fim, lavemos nossas mãos. Em sangue.

Uma resposta

  1. A divisão do mundo entre o bem e o mal pode ser pueril. Ninguém é tão mau que não possa ter algo bom. De fato, espero mais do enredo. Todos podem aprender muito, e ampliar seus horizontes. Ótimo texto.

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